Síntese
O texto comenta uma decisão do Plenário do TCU sobre a inabilitação de empresa por falta de documento. A discussão girou em torno de uma pergunta: o documento apresentado depois era novo ou comprovava uma condição que a empresa já tinha. O Tribunal entendeu que era condição preexistente e mandou reabrir a fase de habilitação.

O que o tribunal decidiu
No Acórdão 1788/2026-Plenário (relator Min. Bruno Dantas, sessão de 08/07/2026), o Tribunal examinou a representação de uma empresa inabilitada em pregão eletrônico por não ter apresentado o balanço patrimonial de 2024. Ela o apresentou em diligência, com o registro na Junta Comercial feito depois da abertura do certame, e a pregoeira declarou o documento inválido. O TCU entendeu que o balanço tem natureza declaratória da situação econômico-financeira em momento anterior, que o próprio órgão reconheceu o atendimento dos requisitos do edital e que a exclusão do documento foi interpretação excessivamente restritiva do art. 64. Julgou a representação parcialmente procedente e determinou, em 15 dias, a anulação da inabilitação e o retorno à fase de habilitação, com nova avaliação da documentação. O voto registra que a inabilitação não decorreu de erro grosseiro, mas de dúvida juridicamente plausível sobre o alcance do art. 64.
Por que decidiu assim
A lei trata, no art. 64 da Lei 14.133/2021, da juntada de documentos depois do prazo da habilitação. A leitura em debate é esta: o que a empresa já cumpria quando apresentou a proposta pode ser comprovado depois, em diligência, e o que ainda não existia naquele momento não pode ser criado para cumprir o edital. A pergunta que separa os dois casos é se a condição já existia na data em que o documento era exigido. O voto cita, nessa linha, os Acórdãos 1.211/2021, 2.443/2021 e 2.673/2021 do Plenário. O art. 64, I, admite a diligência para complementar informações sobre documentos já apresentados, quando necessária para apurar fatos existentes à época da abertura do certame.
Fonte oficial desta seção: Lei 14.133/2021, art. 64 e Acórdão 1788/2026-Plenário, TCU.
O que isso mostra
A inabilitação por falta de documento pode ser revista quando o documento prova uma condição anterior, e a decisão tratou de um caso concreto, sem fixar regra para todos os documentos. Para a empresa inabilitada, os pontos a observar são o que o edital exigia, a data em que a condição passou a existir e a fundamentação da decisão que a inabilitou.
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Marcos Freitas
Advogado, Mossoró/RN. Sobre o Marcos